Posted by : Menino Rez 14 de set de 2016

ALOLAN TALES:


  A brisa litorânea soprava e refrescava as pessoas que passavam pela praia naquela hora, mas nada impedia que o suor escorresse sobre seus corpos, a temperatura daquela região era realmente alta. De fato, Alola era a região mais quente do mundo, mas isso não era um problema para seus moradores, já que as belezas naturais do local compensava qualquer temperatura.

  As pessoas que caminhavam por aquela parte da praia se deparavam com preparativos de uma festa que aconteceria logo ao anoitecer, um evento tradicional que acontecia duas vezes ao ano. Estavam na Baía da Sereia. Recebia esse nome porque diziam as antigas lendas que náufragos foram guiados até a praia por uma sereia que logo desapareceu entre as ondas. É claro que os antigos acreditavam em coisas sobrenaturais como Homens-Mightyenas, Vampiros e Sereias. Mas com o tempo, isso não passava de lendas ou história para crianças.
  Salandit e Vikavolt auxiliavam os trabalhores nos preparativos e enfeites. Barracas estavam sendo montadas, as luzes eram penduradas em coqueiros próximos, balões com formatos de Togedemaru e Pichu eram enchidos. Os comerciantes preparavam seus estoques e os cozinheiros começavam a fazer os pratos típicos, sempre utilizando de frutas e frutos do mar. Coqueteis, saladas e pratos naturais eram os destaques de Alola. O festival não tinha uma comemoração exata, simplesmente gostavam de fazer, os habitantes da região gostavam de comemorar a felicidade e as coisas simples da vida. Alguns gostavam mesmo de encher a cara e se divertirem, mas a melhor parte eram os turistas que vinham de outras partes do mundo para prestigiar as comemorações e deixar seu dinheiro para movimentar a economia.
  Tudo estava quase pronto para a festa, e o sol começava a se esconder no horizonte do mar, o céu começara a aderir uma cor arroxeada e alaranjada, e o reflexo do sol na água dava outra cor para o mar. Alguns casais pararam para observar o espetáculo e algumas famílias começavam a recolher seus guarda-sóis e as crianças brincavam com seus Pokémon.
  Kale era um habitante de Alola, tinha por volta dos seus 30 anos e nunca trabalhara sério na vida, vivia faltando ou se demitia quando enjoava. Ainda morava com a mãe numa cabana afastada onde dormia em um quarto onde havia apenas uma rede velha que usava como cama.
  Estava caminhando pela praia a espera do início das festividades, queria muito beber algo alcoólico e não tinha um tostão no bolso, mas sua lábia e jeito malandro sempre convencia alguém a pagar uma cerveja a ele. Estava usando uma camisa com estampas havaianas abotoadas de jeito torto, um short branco rasgado e chinelos de marca barata, era seu look diário e que não tirava nunca. Sua pele era parda e seus olhos tinham tons de cinza e seu cabelo negro e encaracolado vivia bagunçado.
  Ao seu lado, estava uma pequena criatura de patas curtas e corpo comprido, sua pelagem era marrom, mas sua barriga e suas costas possuíam detalhes em amarelo, tinha uma longa cauda e garras, orelhas pequenas e um sorriso que mostrava todos os dentes e que poderiam assustar qualquer criança. Era Yuungos, conhecido pela Pokédex como Pokémon vadiagem, uma certa coincidência com seu dono.
  - Sabe, Yu. - começou Kale, sentando na areia. - Eu gosto da minha vida… É tudo que eu pedi para Tapu Koko, uma rede pra mim dormir, comida na hora certa e uma rotina sem preocupações, apenas eu, você e o mar… - concluiu, olhando para as pequenas ondas que batiam nas pedras.
  O Pokémon nada respondeu, apenas coçou sua barriga com uma das patas.
  - Iih, rapaz, tá com pulga de novo? - questionou o homem, olhando para seu companheiro. -Vai ter que aguentar, eu não tenho dinheiro pra remédio de pulgas. Então coce bastante.
  A noite finalmente chegara, e as luzes do festival começaram a acender, alguns turistas e moradores locais começavam a chegar. Estava uma bela noite,a lua estava cheia e não havia nenhum sinal de nuvem, era a noite perfeita. Kale levantou-se de seu lugar e tirou a areia dos shorts, e logo começou a caminhar em direção a tal feira.
  - Caraca, irmão! - exclamou ele, ao entrar. - Olha só a quantidade de bebidas desse ano! Vou querer provar todas.
  Seu olhar começou a procurar uma pessoa que pagasse uma bebida a ele, queria encontrar uma vítima o mais rápido possível. Até que encontrou sentada em uma mesa isolada, uma jovem moça que usava shorts curtos e uma regata branca, nos pés, usava belos chinelos com pequenas pérolas para enfeitar. O que chamava a atenção era seu corpo esbelto, seus seios praticamente saltavam para fora do decote e seu shorts marcavam bem o bumbum e suas coxas. Sua pele era parda como a de Kale, mas que brilhava com a luz da lua, seus olhos eram castanhos e sedutores e seus cabelos eram castanhos ondulados, que desciam até as costas.
  - Opa, uma moçoila sozinha, essa vai ser fácil. - pensou Kale, arrumando suas roupas e ajeitando o cabelo. - Hora de ganhar algumas “cervas” de graça.
  Em alguns minutos, o homem pegou outra cadeira e sentou-se a mesa de frente para a moça que não esboçou surpresa, apenas encarou a figura que acabara de chegar.
  - Boa noite, o que uma moça tão bela e atraente faz sozinha por aqui? - questionou ele, usando seu tom de voz mais sensual possível.
  A moça riu baixinho e Kale se surpreendeu.
  - Eu disse algo de errado? - questionou ele, confuso.
  - Não… - sussurrou ela, com a voz doce, ainda em risos. -É que eu achei seu jeito engraçado.
  Kale corou, estava envergonhado. Que mal começo de conversa, nem tivera tempo de impressionar a garota e já estava sendo motivo de risadas.
  - Sinto muito. - disse a mulher,terminando de rir. -Foi rude da minha parte.
  - Está tudo bem. - respondeu o homem, ajeitando o cabelo novamente. -Mas de verdade, porque está sozinha?
  - Me falta companhia. - comentou a outra, olhando fixamente nos olhos de Kale, que sentiu suas bochechas arderem com o contato visual. Ele se ajustou na cadeira e com a voz meio falha, disse:
  - S-seus problemas acabaram. Eu estou aqui, e vou ficar até você se enjoar de mim. – ele tentou usar a voz sensual como da outra vez, mas falhou miseravelmente.
  - Eu adoraria… - respondeu a mulher. - Qual é o seu nome?
  - Meu nome é Kale. E qual é o seu, nobre dama?
  - Me chame de Sereia. - ela sorriu, como se tivesse orgulho do nome.
  - S-Sereia? - questionou Kale, meio confuso. - M-mas, isso não é bem um nome.
  - Eu sou diferente, Kale. - sussurrou. - Bem diferente.
  O homem olhou para seu Yuungos no chão e voltou a olhar para a mulher, bem confuso. De fato, era uma moça peculiar, não só pelo seu nome, mas pela sensação que ela causava, quase como se atraísse os outros com seu charme.
  - Então… Quer beber alguma coisa? - questionou Sereia, apoiando os cotovelos na mesa e a cabeça entre as mãos.
  - Eu adoraria, mas, não tenho dinheiro. - respondeu o acompanhante. Tinha tanto planejado pedir bebida a alguém, mas acabou esquecendo de tudo.
  - Então eu te convido para beber, e é por minha conta. - a mulher sorriu, exibindo novamente os dentes brancos.
  - Jura? Ah, muito obrigada, dama. - agradeceu Kale, comemorando por dentro por ter conseguido bebida de graça, mas isso era de menos no momento.
  Sereia pediu as bebidas em uma barraca próximas a eles, em minutos, coquetéis, cervejas, chops e batidas chegaram, Kale observava aquilo com brilhos nos olhos, era como uma providência divina. Havia até uma bebida que brilhava, e isso surpreendeu o homem, que nunca tinha visto uma iguaria daquelas.
  - Se eu beber isso, minha barriga não vai começar a brilhar, né? - questionou Kale, desconfiado do líquido brilhante
  - Prometo que não vai. - riu Sereia, tomando um gole da mesma bebida.
  - Vou confiar em ti, hein?- disse o homem, bebendo o conteúdo no copo. O gosto de álcool era forte, mas no fundo, sentia-se um leve adocicado,que dava a bebida um sabor inconfundível. - Puxa, isso é muito bom. Do que é feito?
  - Com tinta de Octillery. - respondeu Sereia, encarando o homem a sua frente e riu ao vê-lo cuspir o resto de líquido no chão, desesperado.
  - É SÉRIO?! TIPO, EU NÃO SABIA QUE A TINTA DELE ERA DESSA COR, PODIA JURAR QUE ERA PRETA. OH TAPU KOKO, COMO PODEM FAZER UMA BEBIDA DESSA?! - exclamou ele, completamente chocado com a revelação.
  A morena continuou a rir alto, uma risada gostosa e divertida, mas que tinha seu charme.
  - É brincadeira. - revelou. - É feito com um tipo de corante especial. Tecnologia de Unova.
  Kale suspirou, aliviado.
  - Vejo que você gosta de rir de mim. É a segunda vez essa noite. - comentou ele.
  - É que você é diferente e engraçado. - respondeu ela, sorrindo, exibindo apenas os lábios. - Mas não me leve a mal, eu gostei de você.
  O moreno sentiu seu rosto corar, mas retribuiu o sorriso, terminando a bebida brilhante.
*   *   *   *   *

O Stufful


  Continuaram caminhando pelo festival, Kale estava aparentemente bêbado, enquanto Sereia permanecia incrivelmente sóbria, mesmo bebendo a mesma quantidade de bebida que o homem. A festa estava no seu auge, havia muita gente caminhando, algumas paradas nas barracas de comida, enquanto as crianças se divertiam com as barracas de prendas, como tiro ao alvo jogo da argola. Sereia olhou em volta e viu algo que chamou sua atenção, ela cutucou Kale que olhou para a mulher.
  - O que foi? – questionou.
  A morena simplesmente apontou para uma das barracas, o homem olhou em direção em que a companheira apontava e viu que se tratava de uma prenda de jogo da argola, mas o que mais intrigava era um pequeno panda rosa e branco com patas curtas e marrons que estava preso em uma gaiola e na sua frente, uma pequena plaquinha escrita com tinta de caneta: 1000 pontos.




  - Pobrezinho, deve ser horrível para aquele Stufull ficar lá dentro. – comentou Sereia, com expressão de pena no olhar, ela olhou para seu companheiro como se pedisse que ele fizesse algo. Kale engoliu seco, quando mais novo, não era muito bom em tiro ao alvo, na verdade, em toda sua vida, ele nunca fora bom em algo.
  - Deixa comigo. – concluiu o moreno, se aproximando da barraca, seguido da mulher. – Aí, me vê 10 argolas.
  - 10 PokéDollars. - disse o dono barraca, ajeitando o pirulito na boca. O rapaz olhou para a mulher atrás dele que estendeu uma nota de 5 PokéDollars.
  - Desculpe, gastei tudo com as bebidas, só sobrou isso. - disse ela, meio sem graça.
  - Quantas argolas ganhamos com 5 PokéDollars? - questionou.
  - 3. - respondeu o homem.
  - Só 3?!
  -Ahã. Se não vai querer, sai daí que tem outros interessados. - resmungou o homem, meio irritado.
  Kale voltou a encarar Sereia, que continuava com seu olhar de pena. Se desistisse, iria decepcionar ela, se aceitasse e perdesse, iria condenar a vida do pobre Stufful, mas por outro lado, tinha chances de ganhar, mesmo sendo péssimo no esporte.
  - Ta, eu fico com as 3 argolas. - anunciou ele, entregando o dinheiro e recebendo os objetos. - Como faço pra ganhar aquele companheiro ali? - questionou, apontando para o Pokémon na gaiola.
  - Ah, pra pegar esse aqui você pode escolher entre acertar duas argolas no Solgaleo ou na Lunaala que valem 500 pontos ou acertar uma no Tapu Koko, que vale 1000. - explicou o homem, apontando para estátuas no chão. As estatuas eram de lendários da região de Alola. Havia também, estátuas de lendários de outras regiões de pontuação menor.
  Kale analisou cada estátua, estava realmente nervoso, suspirou, se concentrou e mirou no Solgaleo. 1,2,3 e já! Ele lançou a primeira argola que caiu com certa dificuldade no pescoço do Solgaleo.
   - ISSO! - comemorou ele, sendo abraçado por Sereia.
  - 500 pontos. - anunciou o homem da barraca, anotando numa espécie de placar mental.
  - Agora vai ser fácil. - com confiança, ele arremessou a segunda argola. Com azar, o objetivo caiu no pescoço da estátua de um Entei, lendário de Johto.
  - 500 + 250, isso é um total de 750 pontos. - anunciou o dono da barraca
  - O QUÊ?! - exclamou Kale, desesperado. - Mas que droga!
  - Você só tem mais uma chance. - disse Sereia, preocupada.
  - Eu sei, eu sei. - o moreno refletiu um pouco, olhou para as estátuas e depois,encarou a estátua de Tapu Koko. - Oh, meu divino Tapu Koko, por favor, me dê sorte. - ele arremessou a última argola, e fechou os olhos.
  Dessa vez, a argola caiu na estátua de um pequeno Shaymin, lendário de Sinnoh, que valia 100 pontos. Kale abriu os olhos e viu sua derrota, olhou para o Stufful, que encarava ele com feição de esperança. Depois, olhou para o dono da barraca, que estava distraído abrindo outro pirulito e nem dera sinal de que havia visto o arremesso. Uma ideia brotou em sua mente.
   - EI, ESTÃO ROUBANDO UM PRÊMIO! - exclamou o homem, apontando para uma das prateleiras.
  - O quê?! - furioso, o do pirulito virou-se para pegar o tal ladrão.
  - Rápido, Yuungos. - ordenou Kale, sussurrando para seu Pokémon. O pequeno furão adentrou a área das estátuas e seguindo as ordens do seu dono, colocou a argola que havia caído em Shaymin no Tapu Koko, e com agilidade, voltou para o lado de seu dono, se coçando novamente.
  - Não sei do que está falando rapaz. - concluiu o dono, virando-se de volta.
  - D-Deve ter sido minha imaginação - riu ele, meio sem graça. - Mas enfim, pode contar os pontos pra mim?
  Com o pirulito na boca, ele analisou o campo, meio impressionado ao ver uma argola no Tapu Koko.
   - 500 + 250 + 1000, dá o total de 1750 pontos! Isso é recorde! - exclamou, animado. - Meus parabéns, o que vai querer?
  - Aquele Stufful ali. - respondeu, sem pensar duas vezes.
  O dono da barraca tirou o panda rosa da gaiola e colocou sobre o pequeno balcão improvisado. Colocou também, dois pequenos potes cheios.
  - É um extra, comida de Pokémon. 
  - Valeu aí. - agradeceu Kale, observando o Pokémon novo.
  - Awn, ele é tão fofo. - disse Sereia, admirando a criatura. Stufful grunhiu alegre e pulou no colo de Kale.  - E gostou de você.
  - É-é, to vendo. - disse o moreno, rindo.

*   *   *   *   *

O Crabrawler


  - Coma tudo, Yuungos, você merece! - disse Kale, servindo comida para o Pokémon, que estava faminto e começara a devorar o alimento que lhe fora servido.
  Estavam sentados em uma pedra, em uma região afastada da praia. Sereia brincava com o novo Stufful, que se divertia com as graças da mulher.
  - Você foi incrível, Kale. - comentou a mulher morena. - Esse pobrezinho devia estar muito assustado naquele lugar, você salvou ele.
  - Na verdade, eu quase estraguei tudo, se não fosse o Yuungos, eu estava ferrado. - riu o moreno, deitando na pedra.
  - Mesmo assim, você fez de tudo para salvar esse Pokémon. Você é um herói. - disse Sereia, sorrindo.
  - Herói, é? Eu gostei disso... - sussurrou ele, orgulhoso do elogio que recebera. Talvez fosse o primeiro e único que receberia na vida, mas estava feliz, pois viera da pessoa certa.
  De repente, deu-se um estouro no céu, que fez Sereia e Kale olharem para ele. Notaram que se tratava de fogos de artifício, que coloriam o céu, alguns fazia cascatas de luzes, outros se expandiam, alguns tinham formas de Pokémon. O casal ficou observando o acontecimento, admirando cada show de luzes que se fazia.
  Kale olhou para a companheira ao seu lado, e Sereia, percebendo aquilo, fez o mesmo, os dois se encararam por alguns minutos, o homem estava perdido no olhar da mulher, encarava também os lábios dela, que estavam brilhando  por conta do gloss, sentiu seu coração disparar e aos poucos se aproximou. A mulher fez o mesmo, e logo fechou os olhos, esperando a ação de Kale. Ele beijou a mulher com delicadeza, porém, profundamente, expressando todos seus sentimentos, a mulher retribuiu o gesto, movimentando a cabeça, os dois exploravam cada segundo do beijo, até que a falta de ar veio, e os dois de afastaram, ofegantes.
  - Uau... - sussurrou Kale, corado.
  A mulher apenas abaixou a cabeça, tímida. Quando o homem ia tocar no assunto, os dois ouviram uma espécie de choro atrás dele, não era choro de criança ou adulto, quando foram investigar, viram que se tratava de choro de um Pokémon. Uma espécie de carangueijo azul e roxo com uma espécie de topete amarelo conhecido como Crabrawler, ele se escondia atrás da rocha onde o casal estava sentado e lamentava por algo.



  - Ei, amiguinho, o que foi? - questionou Sereia, se ajoelhando na frente da criatura. Crabrawler olhou para mulher e em sua língua, começou a contar algo, o moreno em pé encarou os dois. - Ah, acho que entendi. - concluiu a mulher, após o Pokémon terminar.
  - ENTENDEU?! A ÚNICA COISA QUE OUVI FORAM GRUNHIDOS ESTRANHOS! - exclamou Kale.
  - Ele disse que fazem alguns meses que não ganhar uma briga e isso está deixando ele desanimado. - contou a mulher. - Crabrawler são orgulhosos.
  - Desde quando você fala com Pokémon? - questionou o dono do Yuungos.
  - Desde sempre, eu acho. Mas você vai ajudar ele? - perguntou a morena, com a mesma cara de esperança que Stufful fazia.
  Kale revirou os olhos, bufou e disse:
  - Ta, ta, eu ajudo. Tudo que eu tenho que fazer é deixar que ele ganhe uma briga?
  - Isso, isso.
  - Muito bem, Crabrawler! Eu te desafio para um duelo! - exclamou o homem. O Pokémon olhou para ele e animado, assumiu uma posição de batalha, pronto para qualquer coisa. - Yuungos, vai!
  O Pokémon encarou seu mestre e o Crabrawler, e logo se escondeu atrás de Sereia, voltando a se coçar, negando as ordens dele.
  - Vem logo! - insistiu, sem sucesso. - Seu bunda mole! Vai você então, Stufful.
  O pequeno panda assumiu o campo de batalha.
  - Então, Stufful, pega leve com o Crabrawler, ele precisa ga-
  Kale não teve tempo de terminar e Stufful voou para cima do seu adversário, que começou a avançar também. Os dois se colidiram, mas o pequeno panda o agarrou e arremessou no chão, ferindo-o. Depois, caiu sobre ele, exercendo todo seu peso contra ele. O casal de humanos encarava aquilo abismado .
  - QUE TIPO DE DEMÔNIO É VOCÊ?! - gritou Kale para o Pokémon. - PARECE QUE VOCÊ NÃO PEGOU O ESPÍRITO DA COISA NÉ?!
  Stufful voltou para o lado do dono, ignorando o que ele tinha acabado de falar, Crabrawler levantou-se do chão, humilhado, e voltou a chorar.
  - Pronto, voltamos do zero! - bufou Kale.
  - Kale... Não desista dele... Por favor. - implorou Sereia, segurando sua mão.
  O homem olhou para a morena e suspirou. Se aproximou da criatura que estava chorando e disse:
  - Ei, me bata.
  Crabrawler olhou para o humano a sua frente, confuso.
  - Vamos, me bata. Isso vai te fazer sentir melhor né? Eu não me importo de me machucar, eu sei que isso vai recuperar sua determinação. Vamos lá. - ele abriu os braços, esperando o golpe. "Para quem apanhou de um Stufful, aposto que o soco dele é fraco", pensou.
  O caranguejo azul posicionou-se e preparou o punho para o golpe, as veias do seu corpo saltavam e por fim, veio o soco, um soco tão forte na região íntima de Kale que ele caiu no chão, se recontorcendo de dor.
  - NÃO PRECISAVA SER JUSTO NO SACO! - gritou ele, com a mão nas partes, choramingando de dor. Sereia se aproximou, rindo um pouco. 
  - T-tudo bem? - questionou ela, tentando disfarçar a risada.
  - PARA DE RIR DE MIM. EU ESTOU MORRENDO AQUI! - exclamou Kale, olhando para a moça.
  - Mas eu acho que deu certo. - disse, apontando para o Crabrawler, que comemorava a vitória, como se fosse a melhor de sua vida. Mesmo com dor, Kale sorriu. Ver a felicidade daquele Pokémon sanava qualquer dor.
*   *   *   *   *

A verdade


  - Porque diabos ele está nos seguindo?! - questionou Kale sobre o Crabrawler, que continuava a seguir o casal.
  - Ora, ele gostou de você porque você o ajudou. - respondeu Sereia. - Agora, vai ter que aguentar.
  - Eu sai de casa com o Yuungos, e agora vou voltar com 3 Pokemon, minha mãe vai adorar a companhia de um monte de bichos soltos pela casa. - ironizou o moreno, parando perto do mar.
  - Tenho certeza que vai ser recompensado. - disse a mulher, parando do lado dele.
   - Com o quê? - questionou.
  - Com carinho e afeto. União e felicidade também. Para eles, você é um herói. - sorriu ela.
  - É a primeira vez que eu estou ajudando alguém. - confessou. - E tudo graças a você, tipo uma motivação. É a primeira pessoa que não me criticou pelo meu jeito malandro ou pelo modo que me visto.
    - Você é mais do que aparenta ser. É divertido, animado, espontâneo e gosta de ajudar. Não devia se criticar tanto. - comentou a mulher.
  - Eu não sabia que gostava de ajudar os outros até você aparecer, então... Obrigado você por me salvar. - riu ele. - Quem sabe assim, eu tome um rumo na minha vida.
  Sereia sorriu e voltou a encarar o mar. A luz da lua iluminava a água e a brisa brincava com a roupa de Kale e os cabelos da moça. O festival começava a fechar suas portas, e apenas as barracas com bebidas se permaneciam firmes e fortes lotadas de clientes. O casal estava um pouco afastado do local, não sabiam exatamente quando foram parar lá, mas sabia que várias coisas haviam acontecido em pouco tempo. Kale parou para pensar que apenas conhecia o nome de Sereia e que beijava muito bem, esse era o momento exato para descobrir mais sobre a garota que lhe acompanhara nas últimas horas.
  - Hey, porque seu nome é Se-...
  - Kale, tem alguém na água! - interrompeu a morena. - E parece estar se afogando!
  - O quê?! - o homem olhou em volta e procurou algo na água, com sorte, a luz da lua estava clara o suficiente e se pode ver um pequeno coala tentando subir em seu pequeno tronco, sua cor era de um tom cinza azulado. - Mas que droga! Hoje é o dia hein?
  O moreno entrou na água, nadando em direção ao pobre Pokémon que lutava pela sua vida, por sorte, a criatura não estava muito longe, mas num lugar fundo o suficiente para que não pudesse sentir o chão. O homem pegou o Pokémon o levantou, encerrando seu desespero.
  - KOMALA! - a voz infantil de um garoto surgiu na praia, se aproximando de Sereia. O menino usava uma bermuda e uma camiseta, e parecia ser turista. - Ah, meu Rayquaza, obrigado moço.
  Kale se aproximou, ainda dentro da água e entregou o Komala ao garoto, que abraçou o Pokémon, aliviado.
  - Como foi deixar seu Pokémon se afogar desse jeito? - questionou o salvador do Komala. 
  - Ah, provavelmente ele dormiu perto da água e a maré o levou. - explicou o garoto, enquanto o coala se ajeitava no seu colo para dormir de novo.
  - Genial... - ironizou.
  O garoto saiu correndo de volta para o lugar de onde veio, Kale suspirou e começou a sair da água, mas logo sentiu algo puxar sua perna para dentro do mar. A única coisa que ele viu foi Sereia saltar também, desesperada.
  Dentro do mar, Kale viu sua perna puxada por um Octillery, que o puxava para baixo cada vez mais, a luz da lua começou a desaparecer, junto de seu fôlego. Num movimento rápido, algo livrou sua perna e ele começou a se debater, desesperado, ser forçando para subir. De repente, a sua salvadora apareceu em sua frente, e era Sereia. Mas ela tinha... Cauda... Cauda de sereia!
  O homem espantou-se. Estava delirando? Aquilo parecia tão real, Sereia sacudia sua cauda branca enquanto apenas os cabelos cobriam os seios completamente nu. A única coisa que viu depois disso foi o escuro...

  "Continue salvando os Pokémon", sussurrou Sereia

  A luz do sol bateu em seu rosto e o despertou, a primeira coisa que viu foi o sol da manhã iluminando a praia e logo depois, Stufful, Yuungos e Crabrawler ao seu lado, preocupados. Kale se sentou na areia, ainda sonolento e confuso, olhou em volta, como se procurasse uma resposta. Quando seus pensamentos se organizaram, ele despertou.
  - A SEREIA ERA UMA SEREIA! - exclamou, assuntando os Pokémon ao seu lado. - AH MEU TAPU KOKO. Como eu não desconfiei disso? E por falar nisso... Cadê ela?
  Ele olhou um pouco em volta e até mesmo para o mar, esperando que ela surgisse das profundezas da água para explicar tudo que tinha acontecido. Quando percebeu que nada aconteceria, ele riu.
  - Que loucura. Conheço uma garota, ela muda minha vida, beijo ela e do nada, descubro que ela é uma sereia. - comentou, levantando-se. - Muito bem, vamos para casa, preciso explicar para minha mãe que a despesa vai aumentar. - ele olhou para seus novos amigos Pokémon, que grunhiram, alegres.


  A única coisa que ecoou em sua mente foi a última frase de Sereia. A partir de hoje, ele tentaria ser alguém melhor, dedicaria sua vida a salvar os Pokémon em memória da sereia que um dia salvara sua vida da perdição. 

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  1. Com isso eu tiro apenas uma conclusão :

    Aventuras em Alola vai ser uma fic muito interessante de ser lida

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    1. Vou dar o meu melhor para que a leitura seja agradável para todos e espero que se sinta bem acompanhando a jornada que tenho planejado, maninho! Alola tem tudo para ser AWESOME! \o/

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    2. Espero que a fic não seque e exploda (Memes CCA)

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  2. Hey, Menino Doris! Você tem noção de que a última vez que você me mostrou um capítulo seu para que eu analisasse foi em Junho de 2014? É, faz MUITO tempo mesmo, e essa era a imagem que eu tinha das suas histórias até então kkkkkkkk Fui pego de surpresa pelo seu conto da Sereia e ainda percebi um pouco do dedo da Star nisso tudo,ela tinha compartilhado comigo a história e gostei muito da performance de vocês dois nessa parceria.

    A vantagem de termos vários contos é que eles são rápidos e podem ser lidos a qualquer momento; temos a oportunidade de trabalhar com diversos personagens e em lugares diferentes, então nunca nos enjoamos deles; e na minha opinião, a melhor parte é que isso pode ter conexões diretas com a fic principal quando ela for lançada em Novembro!

    Kale é uma figura interessante, o cara que sempre tenta tirar proveito dos outros e quer se dar bem na vida, essa é a concepção automática que temos de um sujeito folgado antes mesmo da fic começar, é melhor "tomar cuidado com elw". Eu adoro histórias com mensagens, um sujeito que nunca pensou muito nos outros e de repente começa a ajudar os Pokémon é a forma dele de demonstrar compaixão pelo próximo, até porque alguns têm mais facilidade em mostrar isso com animais do que com seres humanos mesmo kkk Pode até ser que no começo tenha sido por interesse na Sereia, mas se uma pessoa é capaz de melhorar por outra, então isso é o que realmente importa, não é? As descrições estão com a sua cara, principalmente na hora de falar sobre a sereia, e eu adorei isso. Seios saltando para fora, isso é tão "Doris" kkkkkk

    Conforme a trama progride, vemos a inclusão de criaturas típicas de Alola para já ir dando essa cara de exclusividade da sétima geração, desde um Yungoos fanfarrão até um Stufful que realmente tem cara de ursinho de pelúcia entregue nessas lojinhas infantis de festivais litorâneos kkkk Você trouxe até nós o clima de Alola, incluiu um pouco do sobrenatural com uma sereia de verdade e a presença delas no universo da Aliança, e ainda criou aqui um treinador que pode vir a dar as caras em sua fic no futuro. Tudo isso colabora para que o projeto seja o máximo! Deixo apenas elogios para a ideia do especial que foi muito boa, e também sua performance, sua escrita melhorou demais nos últimos anos e se eu tinha alguma dúvida de que você faria um bom trabalho em Alola, então todas elas foram varridas. Assim que tiver novas ideias, traga contos e continue construindo uma base sólida para o Aventuras em Alola. Estamos trabalhando para que essa fanfic seja incrível e estamos tão ansiosos quanto os leitores para que os jogos cheguem logo na companhia de uma história concisa, personagens cativantes e uma trama extraordinária. Continue com o excelente trabalho, e conte sempre com meu apoio! \õ

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    1. Ô MÃE, EU RECEBI UM COMENTÁRIO DO CANAS!

      Cara, eu ainda lembro daquele texto que pedi pra você avaliar quando eu era um dos novatos da aliança...tão bagunçado. :')

      Oh boy, os leitores vão pensar que eu sou um pervertido! hsuahusahuau eu pretendo explorar ao máximo cada personagem que for introduzido nos contos, e hell yeah man, quem sabe o Kale não dê as caras na fic principal mesmo ?

      Fico realmente muito feliz pelo feedback, e só tenho a agradecer pela oportunidade que você me deu. Muita coisa aqui é graças a você, maninho! \o/

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